Na Hipermídia

Blog de produção da disciplina Produção e Edição Multimídia, do Centro Universitário UNA. (prof. Jorge Rocha)

Redações integradas: possibilidades e questionamentos para se pensar o paradigma do fazer jornalístico

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A tecnologia transformou o mundo, chegou a vez do jornalismo

Redação integrada do Daily Telegraph, em Londres

Quais os desafios para integrar a produção jornalística em uma sociedade dinâmica e digital, na qual a informação tem prazo de validade? Algumas
experimentações vêm sendo feitas em todo mundo, buscando cada vez mais um novo modelo de redação, em que as novas ferramentas tecnológicas possam trabalhar de maneira integrada.

O século 21 ficará marcado na história da humanidade pelos avanços tecnológicos que transformaram, a nossa maneira de se relacionar com o mundo. Estamos diante de processos que questionam, agridem e quebram paradigmas históricos. Seja nas artes, musica ciência e mesmo no fazer jornalístico.

“O “JB” vai sair do papel. E entrar para a modernidade”.  Foi com essa frase que O Jornal Do Brasil, em julho de 2010, decretou o fim da circulação impressa do jornal, transferindo todo o conteúdo para a versão online.

Por trás dessa mudança de rumos existem dois fatores principais: As dívidas que o jornal vem acumulando ao longo dos anos e a morte a muitos anos anunciada, de uma mídia ultrapassada: o jornal impresso.

O que quero afirmar, não é que o jornalismo está morto – não por enquanto – mas, que estamos presenciando um momento histórico no qual a notícia impressa não consegue mais acompanhar o dinamismo da vida moderna. Migrar conteúdo do impresso diretamente para o meio digital ao meu ver também não é a mais ousada das atitudes, mas apenas um grito de desespero, de incerteza em uma geração que já vem ao mundo com palavras como: tablet, wireless, up grade e touch screen na ponta da língua. Do átomo ao bit essa é a síntese de um processo de mudanças, de quebras de paradigmas que se apresentam aos jornalistas neste exato momento.

As antigas redações de modelos cartesianos e verdades positivistas começam a entrar em extinção com a mesma velocidade que enviamos um email para o amigo de outra cidade.

O jornal New York Times, acostumado a ditar tendências foi o primeiro a explorar as possibilidades de integração das redações, do online e impresso, seguido pelo El Pais no Brasil. Os mais tradicionais olham com um ar de desconfiado para esse novo horizonte, mas pouco a pouco e tempo os colocam de joelhos frente a mudança inerente, como O Globo  que recentemente anunciou a integração de suas “redações” em uma só.

Mas o que seria uma redação integrada? Dividir o mesmo espaço físico? Qual a realidade dos jornais mineiros frente a essas novas propostas?

Entrevistamos Frank Martins, redator do jornal O Tempo on-line, um dos principais jornais da cidade de Belo Horizonte, para entender melhor esse processo que vem impactando – e vai transformar mais ainda – a vida de jornalistas e leitores mundo afora.

Redação: Qual a sua opinião sobre redação integrada?

Frank Martins – Este processo já vem sendo vivido pelos principais periódicos do mundo, como, por exemplo, o “New York Times” e o “El País“. Aqui
no Brasil grandes jornais de circulação nacional como a Folha e O Globo também adotam essa prática. O trabalho desenvolvido no O TEMPO ganha
com qualidade e agilidade tendo a sua redação integrada. Com a força que o ambiente virtual vem ganhando no dia a dia das pessoas, o processo
de integração das redações é um processo inevitável nas empresas de comunicação.

Redação: Quais são os pontos positivos e negativos?

Frank Martins – Não sei falar em pontos negativos, mas acho que a criatividade é que sai ganhando nesse processo. A convivência da cabeça do on-line com a cabeça do papel produz novas rotinas, novas ferramentas tecnológicas para desenvolver melhor o jornal, seja ele impresso ou virtual.

Redação: A redação de O TEMPO é uma redação integrada?

Frank Martins – Se você considerar redação integrada como os profissionais do impresso e do virtual trabalharem no mesmo ambiente, sim, O TEMPO apresenta uma redação integrada. Mas prefiro pensar em redação integrada como o ambiente em que os profissionais de comunicação de diversos meios (impresso, virtual, vídeo) trabalham juntos e desenvolvem conteúdo complementar.

Redação: E pra finalizar, quais são as características da redação integrada do  O TEMPO?

Frank Martins – O objetivo de integrar as redações, além de diminuir os custos da empresa, é dar mais agilidade aos produtos da casa e se adequar a um mundo no qual a internet tem cada vez mais um papel importante. Portanto como podemos observar, mais do que cortar gasto, produzir conteúdo para o online ou mesmo dividir os mesmos espaços físicos as redações integradas representam uma quebra de paradigma e um novo olha para a produção jornalística na virada do século XXl. Pois os profissionais que estão chegando nos próximos anos espera-se serem capazes de problematizar o jornalismo em uma esfera muito maior do que a simples dicotomia online VS impresso, mas entender o processo como um todo, de uma forma interligada.

Imagens de uma visita técnica à Redação integrada da Rede Gazeta

Por Danielle Gláucia e Thiago Almeida

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